Em março de 2018 embarquei para Hamilton, uma cidade pacata na ilha norte da Nova Zelândia, para um intercâmbio de 4 meses no país, sendo 3 deles trabalhando como au-pair. Mas afinal, o que é au-pair? Esse é um trabalho onde garotas ou garotos cuidam de crianças e em troca, além de receber salário, moram na casa, como se fosse um membro da família e devido a alguns países terem direito ao visto WHV Work Holiday Visa, muitos jovens decidem trabalhar como au-pair na Nova Zelândia.

Porque eu decidi ser au-pair na Nova Zelândia

Quando Lucas e eu aplicamos para o Work Holiday Visa, tínhamos a intenção de ficar 1 ano no país, mas como só eu consegui o visto meus planos mudaram para ficar de 3 a 6 meses, o suficiente para eu melhorar minha conversação em inglês.

Comecei então a procurar trabalhos na área da hospitalidade em cidades maiores, como Auckland e Wellington. Realmente há muitas oportunidades nessa área e também é relativamente fácil encontrar oportunidades em cafés e restaurantes, mas quando comecei pesquisar sobre o custo de vida, confesso que fiquei um pouco assustada.

Então, um dia conversando com minha amiga Jhéssyca, que na época estava procurando famílias para ser au-pair, ela me explicou como funcionava esse trabalho, e, de fato achei bem vantajoso morar na Nova Zelândia com custo de vida zero.

Além disso, eu já tinha cuidado de 3 crianças na época da adolescência, pensei que não seria tão desafiador assim e mesmo que fosse, ter a oportunidade de morar com locais e conhecer mais sobre a cultura do país seria bem valioso para mim.

Em um domingo fiz meu cadastro no site AupairWorld e pensei que demoraria uns 3 meses para encontrar uma família. Eis que dois dias depois recebo uma mensagem da Jhéssyca dizendo: “Nah, encontrei uma família para você!”.

Na verdade ela estava conversando com uma família de Hamilton, mas como não tinha o WHV seria impossível trabalhar legalmente, então me indicou! Resumindo, na mesma semana fiz entrevista por chamada de vídeo com a mãe e na outra já estava contratada 🙂

 

Minha rotina como au-pair

A família era formada por 4 pessoas, um casal de britânicos, uma menina de 3 anos e um bebê de 1 ano. A rotina era basicamente preparar e servir o café da manhã, almoço e ajudar os pais na hora do jantar.

Na maioria dos dias a menina ia para a escola, então eu dedicava mais tempo cuidando do bebê. Os pais tinham horário flexível no trabalho então sempre estavam presentes em casa e então brincávamos todos juntos.

Eram frequentes também os passeios com as crianças ao ar livre, semanalmente íamos a algum parque ou até mesmo um café ou restaurante.

Junto com a família pude conhecer lugares como: Hamilton Gardens, Zealong Tea, Tauranga, Mount Maunganui, Raglan e Brida Veils.

Eu tinha 2 dias de folga por semana e o fato de morar em Hamilton facilitava demais, pois a cidade está localizada a menos de 3 horas das principais atrações da ilha norte, com isso consegui aproveitar muito!

E falando nisso, escrevi um post exclusivo falando das 5 razões para morar em Hamilton, não deixe de ler!

Porque ser au-pair na Nova Zelândia?

Cuidar de crianças tem seus momentos de cansaço e tédio, exige muita paciência, atenção e disposição, mas tudo vale a pena pela imersão cultural e linguística em um país tão peculiar.

Se você precisa aperfeiçoar o idioma essa é uma grande oportunidade, pois terá que usar o inglês 24h por dia, seja no trabalho, para falar com as crianças, assistir filmes e desenhos com eles, ler histórias para eles dormirem, ou até mesmo nas suas horas vagas dentro da casa, para conversar com os pais, visitas e vizinhos diariamente.

Tem a questão de comodidade também, ainda mais para quem não conhece ninguém no país, como foi o meu caso. É muito bom chegar e ser recebido em um lar, poder contar com a ajuda de um residente para todo e qualquer tipo de problema, seja uma doença, um problema com documentação ou até mesmo em dicas de como ir para as melhores atrações.

Finalmente, e o que eu considero o mais importante: a troca cultural. Tive uma das experiências mais ricas da minha vida, pois recebi um carinho e amor tão grande de pessoas que me conheciam tão pouco. Apesar de estar na casa para trabalhar, nunca fui tratada como uma empregada ou coisa do tipo, mas sim como um membro da família.

Conheci muitos kiwis e fui contagiada com o estilo de vida relax deles, um povo na sua maioria, sem ganância e vaidades, pessoas simples, que valorizam família, amigos e viagens em primeiro lugar.

Em contrapartida pude ensinar muito da nossa cultura também. Pude falar e mostrar para eles que Brasil não é só Rio de Janeiro, e inclusive, tem regiões muito mais impressionantes para se visitar. Pude mostrar também, através do meu trabalho diário e carinho, que somos um povo guerreiro, criativo, forte e amigo.

E o que mais me impressionou foi que enquanto compartilhei tudo isso, percebi que pertenço a um cultura tão incrível, qual não valorizava antes.