Uyuni

O fantástico Cemitério de Trens de Uyuni, na Bolívia

O Cemitério de Trens é um daqueles cenários fantásticos no meio do nada, cheios de histórias e mistérios. Ele fica próximo de Uyuni, cidade ao sul da Bolívia e sede do maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni.

Lá não é um lugar para quem gosta de turistar, somente, mas sim para quem é sensível e apaixonado pela arte.

Quem acredita que “a vida imita a arte”, certamente vai se encantar com a grande metáfora que é o Cemitério de Trens de Uyuni.

 

A grandiosidade do Cemitério de Uyuni

A imagem das velhas locomotivas abandonadas e enferrujadas, queimando sob o sol escaldante, faz do Cemitério de Trens de Uyuni uma das principais atrações do passeio pela região, e há quem diga que o mesmo é o cemitério da categoria mais fantástico já visto.

A geografia ajuda muito, pois ele está localizado na planície andina, rodeado por montanhas que ficam nevadas no inverno, combinando com a imensidão de chão desértico e contrastando com o forte azul do céu.

Porém, a beleza impressiona não só pela geografia, mas por representar as realidades mais tristes da vida: o abandono, o desprezo e o fim.

 

Mas porque a ferrovia chegou ao fim?

De 1888 a 1892, no mandato do presidente Aniceto Arce, a Bolívia estava no ápice de sua produção mineral, com foco em estanho, cobre e prata, retirados principalmente da região de Potosí. Juntando a necessidade, com a localização de Uyuni, que é o ponto de chegada de quatro linhas, sendo elas: La Paz (via Oruro), Calama (Chile), Potosí e Villazón, Arce decidiu investir na construção de uma ferrovia, que sairia do polo de extração para descarregar minérios em Antofagasta (Chile), antiga saída da Bolívia para o Oceano Pacífico.

A ideia foi excelente, pois com a implantação da ferrovia, intensificaria os negócios, consequentemente melhoraria a economia do país.

Contudo, sem apoio era impossível manter a construção, devido à falta de diversos recursos, como: financeiro, tecnológico, operacional, entre outros. Então, Arce solicitou ajuda a engenheiros britânicos, que além de fornecer os vagões, passaram a gerir o projeto, que de acordo com os planos, em breve estaria pronto.

Arce só não contava com a astúcia dos índios Aimarás, que por diversas vezes tentaram destruir as etapas das construções, pois, acreditavam que esse progresso viria destruir sua paz. A tribo dos Aimarás é bem grande, e hoje estão espalhados por diferentes países da América. São 1,5 milhões na Bolívia, 440 mil no Peru, 41 mil do Chile e 35 mil na Argentina.

No entanto, mesmo com tantas manifestações dos Aimarás, a ferrovia foi construída.

E foi assim por longos anos: Os trens despejavam riqueza no terminal de Antofagasta e voltavam trazendo pessoas para tentar a vida na Bolívia.

Sobre o fim das atividades da ferrovia, cada um aponta um motivo, mas o mais provável é a junção de vários eventos por volta das décadas de 1920 e 1930, como: A Grande Crise de 1929 (que impactou a economia de todo o mundo), a perda do território (para o Chile) que dava saída para o mar e, principalmente, a escassez de minérios.

Com isso, aos poucos os vagões foram sendo desativados, até enfim, serem descartados no meio do deserto.

Diante dessa história de metamorfose e abandono, alguém com muita sensibilidade grafitou essa frase em um dos vagões:

'Asi es la vida'

‘Asi es la vida’

E temos que concordar, pois o ser humano nasce com um propósito, e ao longo de sua existência vai desempenhando funções na sociedade. Segue suas carreiras bem ou mal sucedidas, faz das tripas coração para se aperfeiçoar, colabora para o progresso da sua cidade/país. E, no fim da vida, já cansado, quando já não é capaz físico e mentalmente para carregar “as cargas” do sistema capitalista, ou quando o mesmo, depois de tantas metamorfoses não necessita mais do seu serviço, faz então um pagamento pela sua inutilidade: O abandono.

Desta maneira a maioria vai encerrando sua existência, enferrujados, esquecidos e inertes, embora rodeados de tanta beleza.

Assim é a vida!

 

Lua-de-mel: Mochilão É Tetra!
Esse post faz parte da viagem “Lua de mel: Mochilão É Tetra!“, onde passamos pela Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.

Quem escreve?

Prazer, pode me chamar de Naty! Sou marketeira por profissão e blogueira nas horas vagas. Moro em SP, mas já morei na Nova Zelândia e confesso que tenho uma “quedinha” pela ideia de morar fora novamente. Adoro bichos e pessoas também, inclusive as mais incompreensíveis rs! E acredito que assim como a leitura, música, e todas as formas de arte, conhecer diferentes culturas amplia nosso conhecimento sobre o outro e sobre nós mesmos.
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