Otavalo e região, desde Quito: mercado, Peguche e Cuicocha

O Equador, além de nos surpreender, nos fez sentir “em casa”, por isso aproveitamos muito bem nossos dias lá e para fechar com chave de ouro, escolhemos um passeio muito especial. À partir de Quito, conhecemos a região de Otavalo: seu Mercado Artesanal, o povoado de Peguche e o lago Cuicocha.

No caminho de Quito a Otavalo, norte do Equador, as estradas são muito boas, e segundo nosso guia Alfredo, a maioria das estradas do país são assim. Todo o caminho é bonito, com serras em meio a Cordilheira dos Andes, inclusive podemos avistar o Vulcão Cayambe, que tem 5.790 metros. Infelizmente ele estava parcialmente encoberto por nuvens.

 

Mercado Artesanal de Otavalo

Chegamos ao Mercado Artesanal de Otavalo e logo ficamos impressionados com a riqueza de detalhes presente em cada artesanato. Lá se encontra de tudo um pouco: peças em madeira, esculturas, quadros, vasos, acessórios, gorros, chapéus, roupas tecidas com lã de lhama e alpaca, pedras vulcânicas, entre outros, tudo com um preço melhor que em Quito. Além disso, os feirantes são bons de negócio, sempre dão um jeito de melhorar o preço para você levar algo mais.

Apesar da variedade, o mercado não é tão grande assim, e por nossa grana ser limitada, compramos poucas lembrancinhas. Por fim, ficamos apenas 30 minutos lá, com isso, ganhamos tempo e nosso guia nos propôs visitar uma atração que até então não estava no roteiro: o povoado e a cascata de Peguche.

 

Povoado de Peguche

Peguche foi o cenário de uma triste história, entre indígenas e espanhóis. Os europeus invadiram o vilarejo e à partir de então tomaram os nativos com escravos. É claro que nessa época houveram muitas batalhas, o que resultou no extermínio de boa parte da tribo, mas os nativos sobreviventes conseguiram perpetuar e manter a tradição da tribo até os dias atuais.

Algumas das culturas mantidas são: não cortar os cabelos dos homens e produzir sua própria roupa.

Inclusive, tivemos uma demonstração, de um morador local, sobre como tecer com uma máquina artesanal, que ele mesmo produziu.

O que permaneceu também foram as ruínas do calendário solar Inti Watana. Era em volta desse círculo que era feito um ritual, onde os deuses, por meio do líder espiritual, dava mensagens aos membros da tribo e era com base nesse calendário que a antiga tribo planejava a plantação.

Parte do muro de proteção construídos pelos espanhóis na entrada do vilarejo também permanece intacto.

 

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Cascata de Peguche

Cada pedra do caminho até a cascata faz parte de uma história de sofrimento e garra de um povo afrontado. Esse caminho foi construído pelos nativos de Otavalo, na época em que os espanhóis tomaram posse do lugar e os fizeram de escravos.

O caminho é margeado por árvores centenárias enormes e na lateral de todo o percurso há um canal com água do rio que era utilizada para irrigação da lavoura. As matas ao redor desse caminho era onde os nativos iam meditar, cantar e lamentar suas dores, tendo um momento de paz diante da escravidão imposta pelos espanhóis. Era na “Pedra Musical” que eles se reuniam para tocar seus instrumentos e cantar.

A árvore abaixo recebeu o nome de “Árvore da Fertilidade”, pois as formações do seu caule lembram órgãos reprodutivos.

Após atravessar a ponte do rio, chegamos a Cascata de Peguche. A água é fria demais, então o que resta é contemplar, fotografar e fechar os olhos em memória das famílias destruídas pela ganância dos espanhóis.

Depois de visitar o povoado de Peguche partimos para o Lago Cuicocha.

 

Lago Cuicocha e Vulcão Cotacachi

O lago e o vulcão fazem parte da mesma paisagem, que por sinal é linda de se ver. O Vulcão Cotacachi tem os seus 4.996 metros cobertos por um tapete de vegetação e há muitos anos, suas atividades implicaram em uma enorme cratera, de 45 a 50 metros de profundidade, que com o passar do tempo foi alagada.

As águas do lago e a vegetação que cobre o vulcão, sustenta e abriga mais de 70 espécies animais, sendo o “cui” uma das mais populares por ali, tanto que que o nome do lago faz homenagem ao animal.

Cui é uma espécie de coelho, que de tão pequeno parece mais um porquinho da índia. O animal tem carne macia e saborosa. O “cui assaso” é um dos pratos mais tradicionais do Equador.

Também é possível fazer o passeio de barco pelo lago. O passeio custa cerca de 3 dólares, e dizem que pode-se ver na água bolhas formadas por gases vulcânicos em pontos específicos. Como não tinha barco disponível no momento que estivemos lá, não fizemos esse passeio.

Infelizmente o Vulcão Cotacachi estava encoberto pelas nuvens e não conseguimos vê-lo.

 

Fritada na Mamá Miche

Como um bônus, nosso guia nos levou até a cidade de Atuntaqui para experimentarmos a fritada de chancho, tradicional prato equatoriano. Existem vários restaurantes que servem o prato, porém nosso guia disse que o melhor deles é o Mamá Miche, nome da senhora que supostamente inventou a iguaria.

A fritada de chancho é composta de carne de porco cozida em sua própria gordura, acompanhada de banana frita, mote, batata, tomate, cebola, limão, mandioca e abacate.

Assim como a maioria da alimentação no Equador, a fritada também é um prato barato. No Mamá Miche pagamos USD 4,50 em cada prato (≅ R$ 14).

 

Como contratar o passeio de Quito a Otavalo

Como estávamos hospedados em La Mariscal, em Quito, foi fácil encontrar uma agência de turismo, já que lá tem muitas opções. Elas oferecem não só passeios para os arredores de Quito, mas também para todo o país.

Contratamos o transfer privativo na agência Luis Tipan Travel, pois não tinha lotação (van) formada para o dia seguinte. A brincadeira não ficou nada barata, USD 40 por pessoa (≅ R$ 140).

Dica: Assim que chegar em Quito já procure uma agência e reserve seu passeio, pois as lotações para os pontos turísticos acontecem em dias específicos da semana. Ou melhor ainda, procure diretamente o guia Alfredo Padilla, você pode trocar uma ideia com ele pelo Facebook e acertar os passeios pelos arredores de Quito.

Lua-de-mel: Mochilão É Tetra!
Esse post faz parte da viagem “Lua de mel: Mochilão É Tetra!“, onde passamos pela Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.

Natalia Zanon

Adoro descobertas, conhecer pessoas e culturas diferentes e estar em contato com a natureza. Nasci em São Paulo-SP em 1991 e cresci em Santa Bárbara d'Oeste-SP. Me formei em Publicidade e Propaganda e trabalho no segmento tecnológico. Gosto de compartilhar minhas aventuras aqui no blog, a fim de incentivar as pessoas a explorarem o mundo e desafiarem a si mesmas.

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