Parque Tayrona: onde a montanha encontra praias “caribenhas”

Nos quesitos culturais e ecológicos o Parque Nacional Natural Tayrona é nota 10, já que suas matas são quase intocadas e sua cultura preservada através dos descendentes da tribo Tayrona que até hoje vivem por lá. Agora, em relação às praias, você terá duas sensações: surpresa ou decepção, isso vai depender do que você espera delas.

Ele está localizado na cidade de Santa Marta e é um dos pontos turísticos mais visitados da Colômbia, pois consegue reunir as atrações favoritas dos turistas: cultura, floresta e praias.

 

Um pouco sobre o Tayrona

O parque é muito grande, se distribui em 15.000 hectares de bosques úmidos, praias, baías, montanhas e 3 mil deles são marinhos. Tem como plano de fundo a Serra Nevada, considerada a montanha junto ao mar mais alta do mundo. Seu ecossistema é composto por mais de 100 espécies de mamíferos e uma grande diversidade de aves e répteis.

O parque foi fundado em 1968, porém, bem antes disso os nativos da tribo Tayrona já habitavam o local. E embora a chegada dos espanhóis no século XV tenha causado o extermínio de boa parte desse povo, ela não conseguiu impedir sua descendência e suas memórias. Afinal, as tribos Kogui, Arhuacos, Kankuamos e Wiwua, que atualmente habitam a região da Serra Nevada e Parque Tayrona, são descendentes dos nativos Tayronas e nos complexos Pueblito (Parque Tayrona) e Cidade Perdida (Serra Nevada) até hoje guardam as memórias da tribo.

 

Como chegar às entradas do Parque

O Tayrona têm três entradas: El Zaino, Calabazo, Palangana.

El Zaino

É a entrada mais tradicional e foi a que escolhemos.

É possível chegar lá de van por intermédio de agências e de ônibus (busetas), que leva 1 hora para chegar lá. Ir de ônibus acaba não sendo muito confortável, mas vale a pena devido à economia. Os ônibus saem da frente do mercado municipal de Santa Marta a partir das 7h e não tem horários fixos, ou seja, quando completa a lotação eles partem. Não é necessário comprar passagem adiantada, pois a cada 15 minutos formam-se novas lotações.

Calabazo

Essa é uma entrada alternativa, para quem deseja ir direto ao Pueblito.

Também conhecido como Pueblito Chairama, o local é um sítio arqueológico onde se conservam estruturas construídas pelos antigos Tayronas. Dá entrada Calabazo até o Pueblito são 5 km, mas fica bem distante das praias. Os ônibus com destino a El Zaino passam na frente da entrada Calabazo, você só precisa prestar atenção e pedir ao motorista para ele parar.

Palangana

É uma entrada menos frequentada, com ingresso e acesso independente e dá acesso às lindas praias Crystal, Neguange, entre outras. O acesso mais comum é de lancha, saindo da praia de Taganga.

 

Entrando no Tayrona por El Zaino

Antes de adquirir o ingresso, você deverá assistir a um vídeo de integração. Logo depois receberá um comprovante de que assistiu. Nem adianta ir direto à bilheteria, pois só é permitido comprar o bilhete de entrada com esse comprovante.

O ingresso é bem caro, por isso não esqueça a carteirinha de estudante. Se puder, antes de viajar faça a carteirinha internacional, pois o pessoal da bilheteria é bastante rígido. Nós tivemos sorte de sermos atendidos por um guri gente boa, mas vimos 4 gringas ficarem mais de 20 minutos na fila tentando comprovar que eram estudantes.

Até pagando meia entrada achamos caro, contudo, já que estaríamos conhecendo “praias caribenhas” a grana valeria a pena. Sim, os anúncios das agências de turismo, na internet, folders, etc supervalorizam as praias do Tayrona, dizendo que as águas têm vários tons de azuis, temperatura agradável e areias branquinhas como as típicas praias do Caribe. Então fomos em frente!

Ao lado da bilheteria tem vans disponíveis para levar os visitantes ao início da trilha. O percurso a pé levaria uns 40 minutos, mas como a paisagem desse caminho não tem nada demais, compensa ir de van.

 

A trilha e as praias do Tayrona

O nível da trilha (Sendero Kogui) é leve e em alguns trechos há assoalho de madeira e até corrimão.

Andando alguns minutos há um mirante, onde pode-se avistar a Praia do Cañaveral.

Até é possível descer à praia, mas continuamos a trilha, pois a praia não é proibida para banho. O que faz alguns turistas passarem o dia ou pernoitar em Cañaveral são os bons (e caros) restaurantes e os famosos ecohabs. Esses chalés são as opções de hospedagem mais confortáveis e caras do Parque.

Quando acabam as montanhas, chega-se ao Sector Yuluka. Lá tem camping e restaurantes e também é possível locar cavalos. Neste caso, não é possível fazer a trilha tradicional (paralela a orla das praias), e sim cavalgar por outra trilha, mais pelo meio do parque. Embora seja menos cansativo e mais rápido fazer a trilha a cavalo, não compensa, pois você acaba perdendo as paisagens.

Ao ladinho de Yuluka também fica a praia de Arrecifes, que até é bonita, mas nada de espetacular, porém proibida para banho. As estatísticas registraram mais de 200 mortes nessas águas, então, é melhor não arriscar. Ela possui uma faixa de areia muito extensa, que é a única opção de caminho a percorrer para continuar a trilha (não, não tem trilha por dentro da mata). Não esqueça o par de chinelos, pois andar na areia de tênis é péssimo, mas andar descalço queimando a sola é pior ainda.

Logo em frente, enfim, chega uma praia permitida para nadar, a La Piscinita. Também não é como descrevem os anúncios e apesar de estar no ápice do verão, a temperatura da água não é nada “tropical”. Mas além de tudo é a melhor praia da trilha, pois oferece muita sombra e é menos frequentada que a praia El Cabo San Juan del Guia.

Andando mais alguns minutinhos, chega-se a praia La Piscina. Tem os mesmos atributos da anterior, só que é maior.

Por fim, chegamos a El Cabo San Juan del Guia. É lá que se concentra a maioria dos turistas que fazem essa trilha. Não é pra menos, pois a praia tem uma faixa de areia enorme, águas mais tranquilas, quiosques vendendo água, suco e comida e também, oferece uma estrutura legal de camping, em redes ou barracas. Para quem dorme lá, há a opção de conhecer o Pueblito no dia seguinte.

Essa praia, como todas as anteriores não chegam nem perto das fotos que vimos nos anúncios, mas fazer o que, os recursos gráficos estão aí para serem utilizados, não é mesmo? O que me deu uma pontinha de raiva, é que aqui no Brasil, podemos visitar praias semelhantes (e até mais bonitas) sem pagar nada, como Praia do Meio (Trindade, Paraty-RJ), Praia da Daniela (Florianópolis-SC), Praia Brava de Boiçucanga (São Sebastião-SP), entre outras.

Mas, todas as percepções são relativas. Se você só conheceu praias mais urbanizadas, ou não ver os anúncios supervalorizados que eu vi, poderá se surpreender muito com as praias do Tayrona.

Não dormimos no parque, pois já tínhamos pagado o hotel em que estávamos hospedados em Santa Marta. Então, curtimos uma horinha em San Juan e tivemos que começar a voltar por volta das 14h30, pois a última van para a portaria de El Zaino sairia às 17h. De forma alguma poderíamos perdê-la, pois se tivesse que fazer esse trajeto a pé, já estaria escurecendo.

Bom, estávamos voltando tranquilamente, até começarmos a nos deparar com várias opções de trilhas diferentes, sem placas de informações. O dilema era: não poderíamos errar, senão perderíamos a van. Daí começou o desespero… Escolhemos caminhos que não eram os mesmos da ida, e pior, não tinha mais ninguém na trilha para pedirmos informações. Mesmo assim, continuamos a caminhar e cada vez mais depressa.

O alívio chegou quando fomos alcançados por cavaleiros. Nos informaram que aquele caminho é para quem faz a trilha à cavalo, é um atalho.

No fim das contas foi ótimo ter errado o caminho. Apesar de termos andado um bom trecho pisando nos cocôs dos cavalos, chegamos mais rápido do que esperávamos.

 

Quanto custa ir ao Parque Tayrona?

Ônibus do Mercadão à El Zaino; El Zaino ao Mercadão: COP 12.000/passagem (±R$ 15,60)
Van do El Zaino à entrada da trilha; trilha ao El Zaino: COP 6.000/passagem (±R$ 7,80)
Entrada ao parque, pagando meia entrada: COP 7.500/pessoa (±R$ 9,75)

Total: COP 25.500/pessoa (±R$ 33,15)

 

Mapa do Parque Tayrona

Mapa do Parque Tayrona
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Lua-de-mel: Mochilão É Tetra!
Esse post faz parte da viagem “Lua de mel: Mochilão É Tetra!“, onde passamos pela Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.

Natalia Zanon

Adoro descobertas, conhecer pessoas e culturas diferentes e estar em contato com a natureza. Nasci em São Paulo-SP em 1991 e cresci em Santa Bárbara d'Oeste-SP. Me formei em Publicidade e Propaganda e trabalho no segmento tecnológico. Gosto de compartilhar minhas aventuras aqui no blog, a fim de incentivar as pessoas a explorarem o mundo e desafiarem a si mesmas.

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6 comentários

  1. Vanessa disse:

    Comparar Boiçucanga e Praia do meio (a mais feia de Trindade) com Cabo San Juan não dá. Você não deu sorte e foi num dia nublado. Pra mim a praia mais linda que já fui. Olha que fui em várias em SP, RJ e RN e até em San Andrés. Nada se compara, o Parque Tayrona é perfeito.

  2. Monique disse:

    Pena não ter pernoitado em Tayrona, nem se quer ter passado o dia. Com certeza sua percepção sobre o lugar seria bem diferente se não tivesse corrido tanto.

  3. Caroline Gouveia disse:

    Estive no parque tayrona no final de dezembro de 2015, apesar de achar o blog de vocês incrível!! serei obrigada a discordar das impressões sobre o parque….eu achei um dos lugares mais inacreditáveis que estive na minha vida! apesar de não poder entrar na praia do canaveral é uma paisagem belíssima e a praia mais bonita na minha opinião, assim como cabo de san juan….uma praia maravilhosa, definitivamente me apaixonei por esse lugar, parque tayrona tem uma energia esplendida a qual não acho possível descrever em palavras. Escrevo para incentivar as pessoas a conhecerem esse lugar deslumbrante na colombia, o qual eu sonho em voltar, para conhecer juntamente minca e palomino. Há semelhanças incríveis das praias do tayrona com as praias desertas de ubatuba pegando a trilha das 7 praias.
    Adoro o blog de vocês! achei sensacional o mochilão que fizeram na america do sul. Grande abraço

    • Olá Carol! Desculpe a demora em respondê-la! Realmente, o parque provoca várias sensações, que bom que as suas foram as melhores. Confesso que também faltou um pouco de planejamento da nossa parte, pois se tivéssemos dormido lá, poderíamos visitar o Pueblito e saber muito mais sobre a história do Tayrona. Boa sorte nas suas aventuras e grande abraço!

  4. Alexandre Hulkinho disse:

    Muito bom seu relato! Parabéns e obrigado! Estou indo agora em janeiro pra san andrés, cartagena, barranquilla e Santa marta!!!

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