A Bolívia “vendida” pela mídia brasileira é um pouco diferente da verdadeira. Quando falávamos que íamos à Bolívia na nossa lua de mel, muita gente fazia cara de espanto e perguntas como: “O que vocês vão fazer lá?” eram frequentes. Como previsto o país superou minha expectativa, mas as primeiras impressões foram afetadas por essa imagem falsa do país.

Casei e viajei para Bolívia, com febre, resfriado e com medo da situação piorar por causa da altitude. La Paz, a cidade que passei a primeira noite, fica a 3.660m acima do nível do mar.[pullquote-right] O termo chola é utilizado no português, para denominar as mulheres indígenas que vestem chapéu, saias, tranças e que carregam mercadorias e até bebes nas costas. Geralmente são vistas na Bolívia, no Peru e no Equador. Esse termo em espanhol pode ser pejorativo.[/pullquote-right]

Meus primeiros contatos com a cultura boliviana foi logo no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, a segunda maior cidade do país, quando esperava pelo voo da BOA (Boliviana de Aviación) para a capital. Vi várias cholas e uma delas, uma senhora, estava em uma cadeira de rodas e seu cheiro de urina nada agradável, era sentido a vários metros.

O aeroporto não tem ar-condicionado, ou pelo menos, ele não estava funcionando. Fazia muito calor e o cheiro não era dos melhores. Além disso, sentimos falta de placas informativas, foi difícil achar o guichê da companhia aérea. Para completar, o voo atrasou umas 3 horas e chegamos a La Paz por volta das 16. Na verdade chegamos a El Alto, cidade da região metropolitana da capital boliviana, que abriga o aeroporto internacional.

Em El Alto, fomos recepcionados pelo taxista que contratamos junto ao hostel. Quase correndo ele nos levou ao carro, era um indício de como aquele povo é desesperado. O carro era velho, assim como a maioria da frota boliviana.

Saindo do pequeno aeroporto, a impressão que deu é que ele fica em uma base militar. É todo cercado com arame e tem uma guarita que controla a entrada e saída.

Logo pudemos contemplar a famosa desorganização do trânsito boliviano. Carros, ônibus, vans, motos, bicicletas, pedestres, cholas… Todos lutando por um espaço na rua. As buzinadas são constantes e tudo se move desesperadamente, principalmente os veículos, que a impressão que dá, é de que um quer passar por cima do outro.

As cholas estavam por todas as partes, com suas vestimentas que chamam a atenção de quem nunca as viu antes. Outro ponto interessante é que povo boliviano mantem traços indígenas em sua face.

De El Alto até La Paz, é uma ladeira e, de lá de cima, tem-se uma visão panorâmica da capital. Tive a sensação de que a cidade é um enorme caldeirão, com casas encravadas nos morros, que lembram o formato de um “O”, onde o ponto central é uma grande baixada. Para completar o cenário, no plano de fundo há alguns cerros nevados.

O interior borbulha. É gente e carro para tudo quanto é lado. Em meio à multidão há sempre uma barraquinha vendendo alguma coisa e na calçada é comum ver comida sendo vendida sem o menor cuidado com a higiene.

Nas praças algo comum: Pombas! E pelo que me pareceu, o povo adora esse animal – também conhecido como rato de asas. Bom, cada um com sua cultura, mas isso não me agrada. Havia sujeira pela rua e alguns trechos cheiravam mal.

Segundo algumas pesquisas, o povo boliviano é considerado um dos menos receptivos para turistas. Mas achei que isso não procede, gostei bastante do modo que fui tratado, na simplicidade e sem aquela puxação de saco só pelo fato de eu ser estrangeiro.

No hostel e em diversos estabelecimentos, era servido chá de coca a vontade. Ele ajuda a minimizar os efeitos da altitude. Nós tomamos bastante durante o Mochilão É Tetra!, sem açúcar o sabor é meio amargo. Ele me ajudou e com uma noite de sono eu já estava com a saúde recuperada para conhecer a cidade e seguir ao Salar de Uyuni.

A cultura ferve na aparência das pessoas e nos prédios, também há muito o que se ver nos arredores de La Paz. Isso, aliado ao grande desenvolvimento social e econômico que o país vive, pode mudar a imagem da Bolívia aqui no Brasil e fazer dele o país a ser visitado pela grande massa nos próximos anos.

Nos dois dias que fiquei em La Paz me senti apenas um turista, assistindo aquela agitação com certa desconfiança. Acho que senti isso pelo momento de mudanças em minha vida e algumas situações: eu tinha acabado de casar, estava doente, era meu primeiro mochilão e minha primeira vez na Bolívia.

No decorrer do Mochilão, senti que La Paz não era um bicho de sete cabeças. Voltei para casa arrependido por não ter dado uma chance da cidade mostrar o que ela tinha a me oferecer.

 

Lua-de-mel: Mochilão É Tetra!Esse post faz parte da viagem “Lua de mel: Mochilão É Tetra!“, onde passamos pela Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.