Trilhas

Travessia das Sete Quedas na Chapada dos Veadeiros

Se já te encanta conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, imagina então passar dois dias desvendando a beleza desse lugar? Fazendo a Travessia das Sete Quedas é possível contemplar o cerrado, banhar-se em cachoeiras e ainda passar uma noite sob o céu estrelado da Chapada dos Veadeiros – isso se você não tiver o azar que tivemos.

 

Sobre o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

A Travessia das Sete Quedas, como o próprio nome diz, atravessa uma parte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O parque foi criado em 1961 e tem, hoje, cerca de 240 mil hectares de área demarcada. É uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, cujo objetivo é a preservação da fauna e flora do local, qual possibilita o desenvolvimento de pesquisas e programas de conscientização ambiental.

 

A Travessia das Sete Quedas

Antes de ir para a trilha, lembre-se que ela tem cerca de 23km de extensão. Por isso, leve só o essencial na sua mochila. Evite peso desnecessário. Fizemos a travessia com um casal de amigos e o Fernandão se arrependeu de ter levado a casa na mochila, mesmo a gente tendo avisado.

A trilha começa no Centro de Visitantes – na entrada do Parque da Chapada dos Veadeiros, na Vila São Jorge de Alto Paraíso de Goiás. Lá você vai receber orientações, assinar uns termos do parque e receber o cartão de identificação, que deverá ser depositado na caixa de correio no final da trilha – uma forma do Parque controlar a saída dos visitantes.

Só é possível fazer a travessia no período de seca: de junho a outubro, e é necessário reservar (paga) no site do ICMBio. O número de visitantes é limitado.

Todo o trajeto é bem sinalizado com setas. No início seguimos as setas vermelhas – a mesma trilha que dá acesso ao Cânion I da Chapa dos Veadeiros.

Pouco antes de chegar ao Cânion II, existe uma bifurcação para o Cânion I. Muita atenção neste ponto, pois a travessia segue à direita nesta bifurcação, no sentido do Cânion I, ainda em setas vermelhas. Não é recomendado seguir até o Cânion II, lembrando que você tem uma longa caminhada pela frente.

 

Cânion I da Chapada dos Veadeiros

Já a visita ao Cânion I, no caminho para o camping, é indispensável! O local tem várias cachoeiras e poços excelentes para banho no Rio Preto acima. Quando chegamos lá não pensamos duas vezes e nadamos como se não houvesse amanhã.

Mas tivemos que parar a diversão, pois ainda tínhamos um longo trecho para percorrer. Antes de partir, aproveitamos para abastecer as garrafinhas e comer algo.

Para continuar a trilha, siga à direita, pouco antes de chegar ao Cânion I e passe a seguir as setas laranjas – elas vão te acompanhar até o final da travessia.

 

Atravessando o Rio Preto

Depois de alguns quilômetros é preciso atravessar o Rio Preto. Até lá você se depara com diferentes paisagens do cerrado: campos rupestres e veredas, além do cerrado strictu sensu. Eu, particularmente, adoro o cerrado. As flores, as cores, o ar e os formatos das árvores me fascinam.

Para atravessar o Rio Preto existem dois postes com a ponta laranja, uma de cada lado do rio, que indicam o melhor local para se fazer a travessia.

Lembre-se de recarregar suas garrafas de água.

 

Seguindo até o camping

O trecho a seguir é a trilha das Fiandeiras: uma trilha histórica, da época do garimpo, e que não conta, durante a seca, com água disponível. Até por isso, essa parte da trilha parece ser interminável, a impressão que dá é que a área de camping nunca irá chegar. Raça que vai dar tudo certo!

Estava muito nublado e nesse trecho começou a chover. Seguimos a trilha de baixo de chuva e torcendo para chover tudo e limpar o céu.

Com a impressão de ter caminhado uma eternidade em meio ao cerrado, enfim chegamos ao camping das Sete Quedas, novamente às margens do Rio Preto. Fizemos o reconhecimento da área, que tem um banheiro seco para fazer o número 2, alguns pontos para montar barracas e poços para banho no Rio Preto.

Iniciando a trilha por volta das 9 da manhã e curtindo o Cânion I, você chegará ao camping perto do anoitecer (horário de verão), após percorrer cerca de 17km.

Depois de montar acampamento, tomar banho e preparar a janta, a chuva apertou. Infelizmente tivemos que recolher tudo e entrar nas barracas, sem ver a cachoeira e muito menos o tão sonhado céu estrelado.

 

Cachoeira das Sete Quedas

A Cachoeira das Sete Quedas, fica bem perto da área de camping. Suas quedas formam diversos poços excelentes para banho e “hidromassagem”. A paisagem ao redor é composta pelo cerrado e por paredões de pedra. As fotos dispensam comentários:

 

Fim da trilha

Após curtir a cachoeira, desmontamos o acampamento para fazer os últimos 6km da trilha até a estrada (GO-239) – que dá acesso a Vila São Jorge.

Essa parte não tem muita novidade. A trilha segue depois da travessia do rio – também sinalizada com postes – até o Posto da Mata Funda (aonde tem uma antena). Em 3 horas chegamos na antena. Ali é possível entrar com veículos e como contratamos uma carona, não fizemos o último trecho até a estrada a pé. A carona foi ótima, pois esse trecho é mais aberto, sem muitas sombras.

Na beira da pista, tem uma caixinha de correio. Não esqueça de colocar o cartão de identificação (entregue no início da trilha) nela.

Assim finalizamos a Travessia das Sete Quedas!

 

Mais dicas

  • Verifique a agenda do Parque, você deve fazer sua reserva e efetuar o pagamento das taxas, antes de ir.
  • A Travessia das Sete Quedas só é permitida na época de seca do cerrado (geralmente nos meses de abril a outubro, mas pode variar).
  • Lembre-se, você estará fazendo uma trilha pelo cerrado onde a vegetação não faz muitas sombras, então leve chapéu.
  • Você andará ao todo 23 km, leve na mochila o mínimo de coisas que puder. Evite peso desnecessário!
  • Durante o percurso você terá algumas oportunidades de abastecer as garrafas com água potável, então poupe suas costas desse peso.
  • Leve um fogareiro pequeno, você precisará dele para fazer sua comida.
  • O serviço de carona pode ser negociado na Vila São Jorge, tem bastante gente que oferece e o valor (dividindo em 4, como foi nosso caso) não é caro.
  • Leia o Guia de Bolso da Travessia das Sete Quedas, do ICMBio
Quem escreve?

Sou um típico bicho do mato! À primeira vista pareço um cara estranho, falo pouco, observo muito e quase nunca me enquadro socialmente. Adoro mapas, história e fotografia, inclusive, se eu não fosse programador poderia ser um ótimo arqueólogo. Mas tem alguns mundos onde me encaixo: em um mergulho no mar, no silêncio das montanhas, assistindo à queda de uma cachoeira e até mesmo, dentro de um bom museu.
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