Trilhas

Trilha e Praia do Bonete, em Ilhabela

O Bonete é uma vila caiçara afastada do centro de Ilhabela e para chegar lá é preciso fazer a Trilha do Bonete, que tem pouco mais de 10 km, começando na Ponta da Sepituba e passando por algumas cachoeiras, mirantes, em meio a Mata Atlântica, sendo possível a observação da fauna e flora.

Essa trilha foi feita “sem querer”, a ideia original na década de 1980 era abrir uma estrada para os carros chegarem lá. Assim, começaram a abrir o trajeto em meio a Mata Atlântica às pressas e sem planejamento adequado, e logo a natureza acabou com o pífio projeto: a erosão destruiu barreiras e a mata invadiu parte da futura estrada.

 

Um adendo: Essa “obra” tem a assinatura do então governador do estado de São Paulo, José Maria Marin, um dos queridinhos do regime militar brasileiro, e que hoje é o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do COL (Comitê Organizador Local da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014), pois é minha gente: Deus tenha piedade de nós!

 

O resultado é uma trilha bem marcada e que permanece larga na maioria dos trechos, graças aos pouco mais de 300 moradores do Bonete que a utilizam como opção para chegar ao centro de Ilhabela. Além disso, existem várias placas do Parque Estadual Ilhabela, por onde a trilha passa, indicando o caminho para o Bonete e para as cachoeiras.

É praticamente impossível errar o caminho e/ou se perder nela. Por isso, a gente não a considera de nível difícil, apesar disso, têm pequenos empecilhos naturais como subidas íngremes (não chega a ter “escalaminhada”), travessia do Rio Areado e a distância. Outra dificuldade para quem pretende acampar no Bonete é o peso da mochila. Pense nisso na hora de fazer as mochilas e leve somente o essencial.

A Cachoeira da Laje foi a primeira a cruzar a trilha, ela fica a aproximadamente 3 km da Ponta da Sepituba e muitas pessoas fazem a trilha só até a cachoeira. Para atravessar o rio/cachoeira da Laje não é preciso ir pela água já que existe uma ponte de madeira e aço, passamos por ela e seguimos esperando o momento de encontrar a próxima cachoeira.

Demorou. Andamos mais de 1h30 na trilha sem sinal de água até que após uma descida mais estreita e ao som de água corrente nos deparamos com o Rio do Areado e suas longas quedas da água. Aí tivemos que atravessar o rio pela água, não tinha ponte. A água batia na altura da cocha, mas não tinha correnteza, e as pedras do fundo eram escorregadias. Tiramos nossos tênis, erguemos as mochilas e passamos sem pisar nas pedras.

Logo que passamos o rio começou o ataque dos “porvinhas” (borrachudos) e imediatamente passamos um repelente caseiro que compramos no estacionamento do Sepituba, após sentimos o ataque desses insetos já na chegada. Aproveitamos para encher nossas garrafas e seguimos a trilha sem subir o rio, onde dizem ter as melhores quedas da água, mas com acesso muito difícil.

Depois de algumas paradas para tomar água e duas horas depois de sairmos da Cachoeira do Areado, saímos da trilha principal e entramos em uma para um mirante da Praia do Bonete, de lá tivemos uma visão – de longe – de toda a praia e vila do Bonete. Ali também tem uma bica, sem saber a proveniência da água não a bebemos.

Faltava pouco para terminar a trilha, mas ainda passamos pela pequena Cachoeira do Saquinho que tem um poço bom para banho, e 30 minutos depois chegamos à Praia do Bonete.

Com barraca, colchão, edredom e mais alguns itens (listados aqui) fizemos a Trilha do Bonete em 5 horas, sem parar para tomar banho nas cachoeiras, apenas parando para apreciar a beleza delas, ouvir os sons da Mata Atlântica e descansar. Otimistas dizem que dá para fazer a trilha em 3 horas.

Começamos o percurso às 9 horas e terminamos às 14 horas. Por causa do tamanho da trilha não é indicado começar após as 12 horas.

Na Praia do Bonete demos um mergulho no mar gelado como uma recompensa pela longa caminhada. A praia é linda, em toda sua orla tem árvores Chapéu-de-sol que fazem boas sombras, a água é uma das mais cristalinas que já vimos, a faixa de areia é grande e no canto esquerdo desemboca o Rio Nema, onde se concentram os barcos dos pescadores.

Procurando um camping para passar a noite encontramos o Camping da Vargem (popularmente conhecido como Camping do Eugênio), que fica em uma “rua” paralela a praia. Uma senhora nos atendeu e mostrou as instalações (no fundo de uma casa). O valor por noite foi de R$20/pessoa. Lugar legal, barato e já tinha algumas barracas armadas. Arrumamos nosso canto, tomamos um banho e passamos repelente logo em seguida.

Depois de um breve descanso demos uma volta pela Praia do Bonete. Seguimos até o Rio Nema onde tinha uma grande movimentação de pescadores, tiramos algumas fotos e brincamos com os cachorros.

Porção de peixe e cerveja

Porção de peixe e cerveja

Não tinha – ou pelo menos não vimos – outra opção para comer a não ser um quiosque em frente à capela. Comemos por lá mesmo. Pegamos uma porção de iscas de peixe por 30 reais e cada cerveja saiu por 5 reais a lata. A porção serviu bem duas pessoas e estava suculenta, uma delícia! Já a cerveja deixou a desejar, só tinha Itaipava e estava meio quente. Foi cobrado 10% do Bob, o garçom.

Dormimos cedo e acordamos no meio da noite com muita sede e já que estávamos acordados fomos até a praia ver como era a noite por lá. Pegamos nossa lanterninha – que mal iluminava nossos pés – e logo que saímos do camping fomos recebidos pela escuridão da noite, lá não têm postes de iluminação nas “ruas”, a única fonte de luz é a lua. A orla da praia também estava toda escura. O céu estava estrelado e com poucas nuvens indicando que o próximo dia seria de muito sol.

Voltamos a dormir e acordamos cedinho, pouco antes da alvorada. Fomos à praia, enquanto amanhecia observávamos as aves e os cantos dos passarinhos. Logo apareceram dois cachorros para nos fazer companhia. Depois veio a maior surpresa do dia: um pinguim! Ele estava na areia, no canto direito da praia, bastante debilitado com sinais de machucados nas costas e mal conseguia ficar em pé.

Segundo alguns moradores pinguins como aquele aparecem com certa frequência no Bonete. Um pessoal o colocou em uma prancha e deixou ele no mar, mas não teve jeito ele voltou para areia.

Cachoeira do Poço Fundo

Cachoeira do Poço Fundo

Nos apressamos para desmontar a barraca e voltar para o centro de Ilhabela, pois tínhamos um mergulho marcado na Ilha das Cabras (Praia Pedras Miúdas). Mas antes, passamos na Cachoeira do Poço Fundo, no Rio Nema, que fica a 10 minutos do camping. São pequenas quedas da água e um poço excelente para banho e águas cristalinas.

Voltamos ao acampamento. Tomamos banho, desarmamos a barraca e fomos até o canto esquerdo da praia procurar alguém para levar a gente até a Ponta da Sepituba de barco. Encontramos o Totó que iria partir às 10 horas e cobrava 50 reais por pessoa, fechamos com ele.

Faltava meia hora e enquanto aguardávamos vimos que o pinguim permanecia na areia, mais debilitado e com tomando um Sol forte. Infelizmente não tinha o que fazer e já havia alguns urubus o rodeando. É a natureza!

Às 10 horas partimos daquele paraíso que já na saída deixou saudade, foram poucas horas ali, mas o suficiente para gente se apaixonar por ele.

A viagem de barco foi uma verdadeira aventura, naquela região o mar é bravo e inclusive têm vários barcos naufragados ali, mesmo assim o Totó não reduziu a velocidade e a adrenalina foi comparável a andar de montanha russa.

Ponta da Sepituba

Ponta da Sepituba

Em pouco mais de 1 hora chegamos na Ponta da Sepituba, um lugar muito diferente do que imaginávamos: não tinha píer nem faixa de areia para o desembarque. Fomos deixados nas pedras, o assistente do Totó pulou em uma pedra, segurou o barco com uma corda e nos ajudou a sair junto com nossas mochilas. Nisso esquecemos nossa barraca no barco e com isso aprendemos que nessas ocasiões devemos deixar todos nossos pertences amarrados uns aos outros para não perder nada.

Tivemos que fazer uma trilha das pedras/mar até o estacionamento. É uma trilha estreita e muito inclinada para subir. Tava muito calor e foi difícil chegar ao estacionamento, parecia que a trilha não tinha fim.

Saímos da Ponta da Sepituba e fomos fazer mergulho com snorkel na Ilha das Cabras (Praia Pedras Miúdas). Isso relataremos em outro post.

Data dessa viagem: 12/10/2013

 

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Como chegar?

De carro, após sair da balsa, siga pela SP-131 (avenida principal de Ilhabela) sentido sul (Praia do Curral, Veloso, Feiticeira) até o final da rodovia que é asfaltada, até 2 km antes do começo da Trilha do Bonete, você chegará em uma porteira com placas indicando o começo da trilha, lá é a Ponta da Sepituba e tem um estacionamento do lado direito. Deixamos o carro lá e o senhor que nos atendeu cobrou R$30,00 o pernoite. Daí é seguir a trilha até a Praia do Bonete.

 

O que levar?

Leve somente o necessário, essa é a palavra de ordem. A trilha é longa, tem subidas íngremes e travessia de um rio. Nós levamos até mais coisa que o necessário e literalmente sentimos o peso do equívoco. Também não esqueça nada, pois na vila só tem um mercadinho e ele pode estar fechado, como aconteceu em nossa estada.

Levamos os seguintes itens:

  • Repelente (indispensável);
  • Alguns lanches, frutas e água;
  • Protetor solar;
  • Barraca;
  • Colchão inflável e bomba de ar (se você tiver colchonete é melhor = menos peso);
  • Lanterna;
  • Produtos de higiene pessoal (shampoo, sabonete, bucha, escova e pasta de dente);
  • Duas trocas de roupa, cada um, e duas toalhas (tudo enrolado para economizar espaço);
  • Chinelos;
  • Edredom; e
  • Dinheiro.

 

Quando ir?

A melhor época para visitar o Bonete é no verão, assim aproveita-se melhor a praia e as cachoeiras. Em julho tem a tradicional festa em devoção a Santa Verônica (conhecida também por Úrsula, seu nome verídico). Mas ir em outras épocas também vale a pena, o Bonete é um lugar muito bom para curtir a natureza e se distanciar da agitação da cidade.

 

Galeria de fotos

 

Mapa

 

Investimentos

Estacionamento: R$ 30,00
Alimentação: R$ 44,00*
Camping: R$ 40,00*
Repelente caseiro: R$ 8,00
Volta de barco: R$ 100,00*

* Valor para 2 pessoas

Total: R$ 222,00

 

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Quem escreve?

Sou um típico bicho do mato! À primeira vista pareço um cara estranho, falo pouco, observo muito e quase nunca me enquadro socialmente. Adoro mapas, história e fotografia, inclusive, se eu não fosse programador poderia ser um ótimo arqueólogo. Mas tem alguns mundos onde me encaixo: em um mergulho no mar, no silêncio das montanhas, assistindo à queda de uma cachoeira e até mesmo, dentro de um bom museu.
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