Total de Km percorridos (de carro) no dia: 398,1

Na nossa última madrugada em Santiago tiramos algumas fotos da sacada do apartamento e a vontade de ficar no Chile aumentava. O tom era de despedida, já que tínhamos que voltar a Mendoza, atravessando novamente a Cordilheira dos Andes, pelo Los Caracoles (Cuesta Juncal), na rota de volta ao Brasil.

Pela manhã, após algumas horas de sono, tomamos banho, fizemos o café da manhã e logo levamos nossas malas para o carro. Saímos do apartamento em Santiago às 11 horas, com poucos pesos chilenos no bolso, já que evitamos fazer um saque extra e ter que pagar 10 reais de tarifa.

Sabíamos da existência de três pedágios no Chile, mas não sabíamos quanto era cada um e fomos na torcida para o nosso dinheiro – cerca de CH$ 5.000 – ser o suficiente para pagar esses impostos. Mas não foi!

Passamos por dois peajes (pedágios) na Ruta CH-57 (Autopista Los Libertadores), o primeiro foi CH$ 900 e quando chegamos ao segundo o valor duplicou: CH$ 1.800, levamos um susto já imaginando o valor do terceiro, que se fosse perto do dobro do segundo nosso dinheiro não seria suficiente. O terceiro, já na Ruta CH-60, era CH$ 3.300 e não tínhamos esse dinheiro. Perguntamos ao atendente o que poderia ser feito e ele disse que também aceitava reais e pesos argentinos. Aí bateu o desespero, a gente não tinha nenhuma reserva e faltavam 11 reais. Começamos a procurar moedas nas malas fomos achando e por sorte conseguimos juntar os 11 reais. Assim após aproximadamente 10 minutos tivemos a passagem liberada, porém estávamos zerados de dinheiro e tínhamos meio tanque de combustível para atravessar a Cordilheira dos Andes, passando pelo Cristo Redentor de los Andes.

Quando nos aproximamos do Los Caracoles o fluxo no sentido Argentina (subida) parou. Por conta das obras que estavam sendo realizadas nesse trecho somente um sentido do tráfego estava liberado. Ficamos uns 15 minutos parados aguardando a liberação do trânsito para continuar a viagem.

Passamos pelo Paso Los Libertadores (a aduana chilena) e na dúvida se precisava parar ou não, paramos. Mas fomos informados que não precisava fazer nenhum procedimento lá para deixar o Chile, somente teríamos que parar na aduana da Argentina.

Trecho da subida até o Cristo Redentor

Trecho da subida até o Cristo Redentor

Depois arriscamos. Em vez de passarmos pelo Túnel Internacional Cristo Redentor, pegamos a via alternativa, de terra, e começamos a subir o Cerro Santa Elena em direção ao Cristo Redentor de los Andes. Não imaginávamos que eram 10 km de subida intensa com curvas estilo “cotovelo” e precipícios no melhor estilo Los Caracoles. O medo de a gasolina acabar era grande, mas voltar não constava em nossos planos.

Subimos em 2ª e 3ª marcha, mas conforme nos aproximávamos do cume o motor ia sentindo a altitude, obrigando a reduzir as marchas para 2ª nas retas e 1ª nas curvas.

Quase na última curva aconteceu o batismo do nosso carro. Cansados de subir, com medo daquilo não ter fim e da gasolina acabar, vimos um carro argentino parado e resolvemos perguntar se faltava muito para chegar ao Cristo Redentor de los Andes. O argentino disse que ele estava logo ali, olhamos para cima e vimos a estátua. Nisso ele comentou algo assim, em espanhol: “carro atrevido, subiu acá”. Assim o carro foi batizado: Atrevido!

Enfim chegamos com o Atrevido bem perto do cume do Cerro Santa Elena, onde fica o Monumento Histórico Binacional Cristo Redentor de los Andes, que marca a divisa do Chile com a Argentina. Segundo uma placa em uma construção do lado argentino aquele local está a 4.000 metros de altitude, estava ventando muito forte e um frio de “rachar”.

O monumento foi inaugurado em 13 de março de 1904, para simbolizar a paz entre os dois países que viviam em constantes disputas por terras. A obra foi realizada pelo escultor argentino Mateo Alonso. Foi feita em bronze, pesa 3.600 quilos e atinge 12 metros de altura.

No alto e em meio da Cordilheira dos Andes é possível ver muita montanha, algumas delas com o pico nevado, mesmo sendo janeiro e verão. Não podemos afirmar, não temos certeza, mas uma delas deve ser o Aconcágua, o ponto mais alto do hemisfério sul.

Após passar pelo marco da fronteira, dizer até logo ao Chile e acertar os relógios para o horário argentino: +1 hora, passamos ao lado do Parque Provincial Aconcágua, dessa vez não entramos (no 12º dia da viagem visitamos o mirante), somente paramos no acostamento da Ruta 7 para tirar fotos do Aconcágua que estava sem nuvens.

Logo chegou a aduana argentina. A fila estava grande, demoramos cerca de 1 hora para passar por ela, mas o trâmite foi tranquilo, sem burocracia e rápido. Oficialmente estávamos de volta à Argentina!

Com pouco menos de 1/4 do tanque, sabendo que o próximo posto para abastecimento seria em Uspallata e sem dinheiro, ficamos com medo da gasolina acabar e também do nosso cartão não passar.

A gasolina não acabou, chegamos a Uspallata e paramos para abastecer no posto da rede YPF. Pedimos para encher o tanque e na hora de pagar o cartão de débito do Santander não passou! Isso porque tínhamos desbloqueado para até o dia 20/01/2013. Não teve jeito tivemos que recorrer ao cartão de crédito internacional (levamos somente para emergências) e pagar 6,5% de IOF.

Pagamos AR$ 6,33 (R$ 2,82) por litro da Nafta Super – um dos preços mais baixos que vimos na Argentina, 36 litros ficou em AR$ 230,00 (R$ 102,67), que depois ficou um pouco mais caro por causa do IOF e da taxa de conversão do cartão de crédito.

Chegamos a Mendoza às 21 horas – 9 horas após sairmos de Santiago do Chile – e fomos direto ao banco tentar sacar dinheiro. Para nosso desespero em nenhum caixa eletrônico deu certo. Detalhe: já tínhamos feito saques em duas agências do Santander em Mendoza e em nenhuma vez havia dado algum problema. Fomos ao hotel e lá tinha wi-fi, acessamos o internet banking para checar o que estava acontecendo com o nosso cartão. Comprovamos que ele estava bloqueado para uso internacional desde o dia 05/01/2013, por isso, a gente não conseguiu usá-lo. Para nossa sorte e alívio, nos mesmos conseguimos desbloqueá-lo para uso internacional pelo internet banking. Imediatamente fomos ao banco, mesmo sem tomar banho. Afinal também estávamos morrendo de fome.

Fomos à agência do Santander na Av. Villanueva Arístides. Era 22h20 quando conseguimos sacar AR$ 1.000,00 (R$ 437,00). Finalmente com dinheiro fomos nos alimentar em um dos restaurantes daquela avenida, comemos empadas e não gostamos. A conta ficou em AR$ 28,80 (R$ 12,86) para duas pessoas, sem bebida. O local aproximado do restaurante está no “Mapa do dia”.

Voltamos ao hotel, guardamos o carro no estacionamento e dormimos após um dia de alguns apuros ao atravessar a Cordilheira dos Andes.

 

Rota

Saindo de Santiago pegamos a Ruta 57 “Autopista Los Libertadores”: duplicada, asfalto excelente e dois pedágios até Los Andes. Ruta 60, no Chile com um pedágio, que depois na Argentina torna-se a Ruta 7, que também é pista simples com asfalto muito bom, mas sem pedágios no trecho até a Ruta 40, que é duplicada com asfalto bom e sem pedágio até Mendoza.

 

Hospedagem em Mendoza

Em nosso retorno a Mendoza ficamos hospedados no Hotel Sol Andino. O hotel fica em uma esquina e tem elevador, também oferece wi-fi. O quarto para duas pessoas era grande, a cama confortável, ar-condicionado, ventilador de teto, aquecedor, banheiro espaçoso, TV, enfim várias comodidades.

O estacionamento gratuito para hóspedes fica a 2 quarteirões do hotel, em um prédio perto da Plaza San Martín. O café da manhã foi razoável, havia opções de medialunas (croissant) – para variar, algumas frutas, sucos de “saquinho”, frios e bolo. Nada tão especial.

Esse foi o único hotel argentino a cobrar 21% de imposto sobre a tarifa. A gente acredita que eles agiram de má-fé, já que havíamos feito a reserva por um preço possivelmente antigo e eles quiseram acertar o valor cobrando o suposto imposto. No balcão havia um aviso sobre a alteração do valor da diária, que passou a valer alguns dias antes da nossa chegada.

 

Mapa do dia

 

Investimentos do dia

Hospedagem: R$ 133,93*
Alimentação: R$ 12,86*
Combustível: R$ 102,68
Pedágios: R$ 25,38

* Valor para 2 pessoas

Total de km rodados na viagem: 5.237,6